HIPNOTIZADO
Nas vezes que visitou o DP, Dide se mostrou mesmerizado pela novidade que trazia, diretamente de Nova York, noticiário internacional, vindo via cabos submarinos. Era novidade no Brasil. As notícias chegavam em espanhol e eram traduzidas com a melhor das boas vontades por um senhor sessentão, Sr.Wambier. Ele conseguia fazer milagres, tendo à mão um pequeno dicionário Espanhol-Português.
Ligado no mundo da notícia, e diante do isolamento quase total de Curitiba, que tinha apenas 3 linhas telefônicas com S.Paulo, Dide Bettega urrava de satisfação quando a UPI – furando a tudo que se produzia no noticiário gerado no Brasil – trazia um furo sobre temas atualíssimos do nosso país. Um deles, mostrava tropas do Exército combatendo guerrilheiros na região de Registro. Uma realidade tão próxima de nós e tão distante…
Nós trabalhávamos com a Agência Meridional do Diários Associados, que não raras vezes consultava o Emílio Zola Florenzano ou o Roberto Novaes, sobre “as novidades do Brasil”. Notícias de primeira mão que nos chegavam via States…
UM SANTUÁRIO
É preciso dizer: Dide Bettega cuidava de sua Ouro Verde daqueles dias como se fosse o zelador de um santuário. No centro de “veneração” daquele raro espaço estavam os milhares de discos, LPs de diversos formatos, que ali resumiam anos de produção artística. O acervo é uma das heranças maiores que Dide nos deixou, além de legar-nos as marcas de um profissionalismo de fazer inveja: sem machucar ninguém, sempre
atendendo – muito bem – o seu público, então sedimentado numa classe AAA, exigentíssima e bem educada também em cultural musical, ele ensinava a fazer bom rádio.
Dide tinha acuidade especial para esse público que, um dia, passou a atender com mensagens espirituais trazidas por pregadores kardecistas em meio a música clássica…. Pax et Bonum, Dide.
AROLDO MURÁ GOMES HAYGERT
Wasyl Stuparyk ou Basílio Junior
O RÁDIO E A TELEVISÃO
DO PARANÁ