O CRAQUE PIANISTA E A DANÇA DA MEIA LUA
Texto de Adriano Fonseca
 

Segundo o imortal Zinder Lins, autor do hino do Atlético Paranaense, em reportagem para a revista Placar, publicada em 04/03/1977, “Carlos Ernesto Cordeiro foi, sem dúvida, o melhor jogador da Taça Cidade de Curitiba” (Taça Clemente Comandulli) de 1977. Como craque, ele “sente o jogo, joga segundo a música”. Carlos Ernesto (“Cabide”) já era, em 1977, exímio pianista nas Bachianas de Villa-Lobos e, nas palavras de Zinder Lins, estava “uma oitava acima de um jogador comum”. Dessa forma, brilhou para o Brasil inteiro, como uma das maiores revelações das Taças Clemente Comandulli (1974 a 1978), que prestam homenagem póstuma ao saudoso jornalista esportivo e, em 2014, completaram 40 anos.
 
Essa cultuada reportagem, escrita por Milton Ivan Heller para a revista Placar, capta, através dos olhos do Serginho Zaia, companheiro de equipe do Carlos Ernesto no EC Pinheiros e também ex-colega dele no Atlético Paranaense, um dos momentos mais decisivos para o entrosamento do Carlos Ernesto na equipe. Foi no treino, ao aplicar“uma bela meia lua no zagueiro Osni” e obrigar“o goleiro a sair em desespero, para rebater com o pé”. A partir dessa meia lua, Carlos Ernesto conquistava, no EC Pinheiros, a confiança dos companheiros de equipe e do técnico Lori Sandri. Era o início da virada no “jogo da vida”desse craque, desperdiçado pelo Coritiba e pelo Atlético paranaense. O “craque pianista” passava, então, a tocar uma contagiante marcha rumo à vitória que levaria o EC Pinheiros a erguer a Taça Clemente Comandulli, ao derrotar, uma por uma, de modo surpreendente, as equipes do chamado “Trio de Ferro”: Coritiba, Colorado e Atlético. Das cinco edições da Taça Cidade de Curitiba (Taça Clemente Comandulli), a de 1977 foi a única conquistada com 100% de aproveitamento.
 
Bravo, Maestro!
 
Por iniciativa doLuiz Evaristo, memorialista do EC Pinheiros, Campeões da Taça Clemente Comandulli de 1977 reencontraram-se no dia 2 de junho de 2014, no jantar mensal da “Confraria Amigos da Bola”, para reviver essa histórica vitória do “futebol-arte musical”.
 
Equipe Campeã do EC Pinheiros na Taça Clemente Comandulli de 1977:
Jorge, Reginaldo, Valdir, Osni e Celso; Índio (Nino), Quincas (Moura), Carlos Ernesto “Cabide” (Luiz Carlos “Lua”), Serginho (Agostinho) (Martinez), Vaquinha (Dudu) e Zé Roberto (Nanau). Técnico: Lori Sandri Diretor: José Maria Pizzaro Superintendente: Zinder Lins
O RÁDIO E A TELEVISÃO
DO PARANÁ
Wasyl Stuparyk ou Basílio Junior
CLEMENTE COMANDULLI
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DO PARANÁ
Wasyl Stuparyk ou Basílio Junior
CLEMENTE COMANDULLI
Foto: Os Campeões Nino, Carlos Ernesto “Cabide”, Serginho Zaia, Lia Comandulli (filha do saudoso jornalista Clemente Comandulli), Índio, Goleiro Jorge, Quincas e Zé Roberto reencontraram-se no jantar mensal da Confraria Amigos da Bola, do dia 02/06/2014.